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domingo, 30 de maio de 2010

ARQUEOLOGIA Pirâmide de 2,7 mil anos é achada no México

Arqueólogos do sul do México anunciaram a descoberta da tumba de 2.700 anos dentro de uma pirâmide, e que pode ser o mais antigo túmulo já documentado na região. Na tumba há o esqueleto de um homem, enterrado com colares de jade e objetos de cerâmica. O túmulo data de entre 500 e 700 a.C. As culturas da América pré-hispânica construíam pirâmides como representações dos níveis entre o submundo e o céu.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Museus. Uma visita aos tesouros escondidos

José António Oliveira trabalha nas reservas do Centro de Arte Moderna, da Gulbenkian. À hora do almoço ou no fim-de-semana aproveita para contemplar as obras. ?Uns vão à missa, eu venho para aqui reflectir?
Antes de abrir a porta, um aviso. "É normal sentir-se indisposto. Há quem não aguente muito tempo na sala seca. É só sair e esperar uns minutos que recupera", explica o conservador do Museu Nacional de Arqueologia, Mathias Tissot, com a mão no puxador da segunda porta que nos leva à tão falada sala.

As paredes grossas, a porta blindada e a falta de janelas, fazem do antigo cofre de Salazar um local perfeito para criar um ambiente com 27% de humidade. A climatização improvisada, com dois desumidificadores, é a forma ideal para conservar metais, como o ferro ou o cobre. "São peças muito vulneráveis e entram facilmente em corrosão", diz ao i.

Estes são alguns dos objectos que estão afastados do olhar do público há décadas. Aliás, os museus têm a maior parte das suas colecções em reservas. O Museu Hermitage, em São Petersburgo, por exemplo, tem três milhões de objectos guardados.

Uma das razões é a óbvia falta de espaço para ter tudo em exposição, mas as peças de arte e obras históricas não resistem à constante investida de turistas e às luzes dos expositores. "Até o ouro fica desgastado. Temos peças da Idade do Bronze (2000-1700 a.C.) que têm estado sempre expostas e estão a ficar avermelhadas. Estão em vitrinas, a temperatura está controlada, mas mesmo o ouro altera-se", explica o director do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo.

Não é de estranhar que a sala seca tenha prateleiras até ao tecto. Em cada uma das caixas, devidamente numeradas e catalogadas, encontramos tesouros. Basta abrir uma ao calhas para darmos de caras com uma espada da Idade do Bronze ou com a Tábua de Vipasca, encontrada em Aljustrel, que contém um dos mais importantes fragmentos de legislação mineira romana recolhidos em toda a Europa. Ao fundo da sala está o cofre, com as peças de joalharia. Este, nem os jornalistas podem espreitar.

Ânforas e esqueletos O Museu Nacional de Arqueologia (MNA) tem cerca de 12 reservas, entre elas, a geral que é a maior, a sala seca, a reserva de ânforas ou mesmo uma antropológica, ou seja, de esqueletos. O esqueleto de uma mulher visigoda esteve há pouco tempo em exposição. Está tão bem conservado que é possível reconhecer-lhe todos os dentes e um anel no dedo.

Dos sete mil metros de área, apenas três mil são para exposições, o resto está repleto de estátuas e cacos. Muitos cacos. "Quantas peças temos? Sabe, sem querer ser ofensivo, essa é uma pergunta um pouco infantil. É que num museu como o nosso, a maior estação arqueológica do país, não é possível saber o número certo. Cerca de 70% das colecções do museu continuam inéditas", diz o director Luís Raposo.

O que à primeira vista pode chocar é facilmente compreendido. Primeiro, porque num museu de arqueologia qualquer fragmento de tecido, caco de cerâmica ou pedrinha é um objecto histórico. Segundo, o território português é ocupado há muitos milhares de anos e, como se costuma dizer, sempre que se faz um prédio em Lisboa, descobre-se mais uma estação arqueológica. Mas o actual director acrescenta outra explicação. "O fundador do museu, o Dr. Leite Vasconcelos, fez um contrato com a CP, no final do século XIX. Qualquer pessoa que encontrasse uma peça arqueológica podia mandá-la de comboio para Lisboa, sem ter de pagar o transporte."

Os números disponíveis apontam para a existência de 80 mil a 100 mil peças estudadas no museu e 60 mil inventariadas. O que encontrámos nas reservas foi um cenário bem diferente do que o secretário de Estado da Cultura contou em Abril. "Ele não conhece as reservas do MNA, mas respondendo a um deputado disse que estava tudo muito mal organizado e que havia peças embrulhadas em jornais dos anos 30. Isso não é verdade, as nossas reservas são até um case study", diz o director, Luís Raposo.

Numa área do auditório, mesmo ao lado da exposição, há uma parede falsa, com acesso à reserva geral. Quando entramos, deparamo-nos com uma imagem estranha. No meio dos claustros dos Jerónimos está uma estrutura de metal azul, de dois andares, que não está presa a nenhuma das paredes. No andar de baixo estão as estátuas de maior porte e nos dois andares encontramos vasos, cântaros e a primeira escultura portuguesa. "É um dos 940 tesouros nacionais do nosso museu. Foi encontrada em Aronches e é a primeira tridimensional, vemos um nariz, dois olhos e cabelo. Já esteve muitas vezes em exposição. Agora está em repouso."

Quadros às escuras José António Oliveira nunca toca num quadro ou desenho sem ter as suas luvas de borracha. E mesmo as luvas têm prazo de validade. "Com o tempo deixam passar resíduos", explica. E tal como um enfermeiro que visita os pacientes, ele nunca falta à ronda pelas obras do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão (CAM), da Fundação Calouste Gulbenkian. José António de Oliveira é um dos quatro responsáveis pela reserva que tem a maior parte das 10 mil obras do CAM. Na cave do museu encontramos uma reserva impressionante, tão limpa e organizada que passaria no teste do algodão.

Dois desumidificadores estão no meio da sala dos desenhos e esculturas, sempre a 25 graus, mas José apressa-se a explicar. "Estou a fazer uma experiência. Como temos um belíssimo sistema de ar condicionado, se tirar aquilo não vai ter água nenhuma, vai ver."

Um passeio pela zona das esculturas e vemos enjaulada numa montra de vidro uma boneca de pano. "É uma das primeiras obras da Paula Rego. Está selada porque se trata de tecido que ficaria cheio de pó", explica directora do CAM, Isabel Carlos. De que ano? "Anos 70", responde rapidamente José António que na hora do almoço e aos fins-de-semana gosta de ir trabalhar. "Há quem vá à missa, eu venho ver os quadros e reflectir."

No -2, há outra sala que é guardada para o final da visita do i. A intenção é clara: impressionar. José António destranca a pesada porta e entramos numa sala repleta de expositores deslizantes, às escuras. Os quadros estão pendurados para não empenarem e só se acendem as luzes de cada sector. Não se quer incomodar o Almada Negreiros ou o Amadeo de Souza Cardoso. É lá que vemos o quadro por que todos perguntam: o retrato de Fernando Pessoa. "Há peças que não podem vir para a reserva, já as tentámos rodar, mas é muito difícil tirar "Os Galgos" do Amadeo. Este ano arriscámos e tirámos o Fernando Pessoa, do Almada, mas as pessoas perguntam. Há esta ligação afectiva com as obras, é como ver um amigo", diz a directora do CAM. José António está atento à conversa e não precisa de utilizar o computador, onde estão catalogadas todas as obras, para encontrar o tão falado quadro.

As trombetas de D. José Quando se pensa na reserva do Museu dos Coches, imaginamos um armazém enorme com rodas, cadeiras e arreios. Não foi bem isso que encontrámos. Como nos explicou a conservadora Maria Ana Bobone, os coches estão todos em exposição. Até quando precisaram de ser reparados, o restauro foi feito na área aberta ao público, para que toda a gente pudesse ver. "São demasiado grandes para estarem aqui. Na sala da reserva temos peças mais pequenas, como as trombetas, selas, arreios e a maior parte do fardamento. Temos oito mil peças no museu e apenas 200 estão em exposição", diz Maria Ana Bobone. Nos armários de madeira até ao tecto, há um que se destaca. O número 16 é o que tem as peças mais valiosas, como as trombetas em prata, e está trancado a cadeado. "O rei D. José encomendou 22 para tocarem na inauguração da sua estátua no Terreiro do Paço. Além de serem valiosas, porque são de prata, ainda tocam, o que é único em todo o mundo", explica.

A reserva é pequena e a manutenção sazonal é feita lá dentro. Quando muda a estação limpa-se tudo, mas os cabedais e tecidos são vistoriados com regularidade. No fundo da sala há uma mesa de costura, onde são reparados os tecidos centenários. A reserva recebeu nestes dias uma nova inquilina: uma cadeira do século XVIII que precisa de cuidados especiais. Tem dois rasgões - algum visitante mais curioso a provar que nem todas as peças podem estar expostas. Pelo menos o ano inteiro. Até as peças precisam de descanso.

domingo, 2 de maio de 2010

Exposição "O Índio e a arqueologia no museu" chega a Campos

A exposição "O Índio e a arqueologia no museu" chega ao Museu Olavo Cardoso, na terça-feira, em Campos. A abertura da mostra contará com a palestra "O índio Goitacá, esse desconhecido", ministrada pela professora da Uenf Simonne Teixeira. A mostra é uma das atividades do projeto de extensão "Patrimônio Cultural: aprendendo a conhecer".


Durante a exposição, o público poderá conhecer algumas das peças cerâmicas encontradas em sítios arqueológicos do Norte Fluminense, confeccionadas pelas tribos indígenas que viveram na região, como os Tupi, Goitacá, Puri, Coroado e Coropó. Também serão realizadas palestras e eventos voltados às crianças. Em datas e locais a serem definidos, as crianças poderão entrar em contato com a experiência de arqueólogos e participar de escavações em sítios arqueológicos simulados.

As inscrições podem ser feitas, gratuitamente, no Museu Olavo Cardoso. O funcionamento é de terça a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 18h. A inscrição também pode ser feita pelo telefone (22) 2726-3021.

Cepa registra descoberta do milésimo sítio arqueológico

MARCA HISTÓRICA > LOCALIZAÇÃO OCORREU NAS MARGENS DO JACUIZINHO

KLAMT: material lítico foi encontrado em área próxima da descoberta de urna


A localização de vestígios de grupos indígenas na margem esquerda do Rio Jacuizinho, no interior do município de Estrela Velha, na divisa com Arroio do Tigre, constituiu-se no milésimo registro de sítio arqueológico nos cadastros do laboratório do Centro de Ensino e Pesquisas Arqueológicas (Cepa) da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). A descoberta em uma área com lavouras, a cerca de três quilômetros acima da ponte da estrada de chão batido que liga Arroio do Tigre com a localidade de Itaúba, ocorreu durante o trabalho para a elaboração dos laudos arqueológicos no estudo de impacto ambiental para o projeto de construção de quatro pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) na região.

A equipe de funcionários e bolsistas do Cepa, coordenada pelo professor Sérgio Klamt, coletou na área diversas amostras de material lítico utilizado pelos indígenas, como picões, talhadores e batedores. De acordo com Klamt, a constatação de que se tratava do milésimo sítio localizado pelo Centro ocorreu apenas no momento do registro, no dia 18 de julho de 2009. Observa que o cadastramento histórico aconteceu no ano em que o Cepa completou 35 anos de fundação.

O coordenador do Cepa afirma que ainda não houve o aprofundamento do estudo nas amostras e escavações no local. Mas as características do material e da área indicam se tratar do sítio de um grupo caçador e coletor, que deve ter acampado na beira do rio em função da disponibilidade de matéria-prima, com a cascalheira próxima, e da facilidade para a pesca. Ele observa que, na região, houve a descoberta de vestígios de diversas tribos da tradição umbu. O Cepa também possui no seu acervo uma panela (urna) da tradição guarani – caracterizada como de grupos horticultores –, localizada em área próxima, que pode datar de 500 a 600 anos.

Os caçadores e coletores, segundo Klamt, viveram há mais tempo na região, chegando a cerca de mil anos antes de Cristo. Apenas na área com projeto para as quatro PCHs, houve a localização de 15 sítios arqueológicos. Klamt explica que a pesquisa deverá ser aprofundada quando ocorrer a construção das hidrelétricas na região. Depois do registro do milésimo sítio, o Cepa já fez o cadastramento de mais 40.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Famalicão: Descoberta fundição de sinos do séc. XVIII

Um grupo de arqueólogos dos serviços de arqueologia da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão descobriram um fosso de fundição de sinos da segunda metade do século XVIII, no local onde está a ser construído o novo Centro Social e Paroquial de Requião.

As evidências encontradas apontam para a presença de uma actividade artesanal relacionada com a fundição de um sino de bronze, nomeadamente um fosso de fundição.

O achado arqueológico foi registado depois de os serviços municipais terem sido chamados ao local junto à igreja de S. Silvestre.

Numa primeira fase, esteve na mesa a hipótese de se tratar de um primitivo mosteiro, anexo à igreja. No entanto, «a forma como se direccionaram os trabalhos levou também à descoberta inesperada de um fosso de fundição de sinos», conforme explica Felisbela Leite, responsável pelos serviços de arqueologia da autarquia.

Um fosso de fundição de sinos corresponde a uma técnica tradicional de fazer sinos, em que é realizada uma abertura no solo, estruturada interiormente, na qual era colocado um molde, que depois de preenchido por bronze, fundido a altas temperaturas, dava origem a um sino», sublinha a responsável.

A autarquia espera agora obter mais informações sobre a descoberta, nomeadamente nomeadamente «a data precisa da fundição; o tipo de combustível usado no processo; a percentagem de metais usada na constituição da liga de bronze; a dimensão; o peso; o tom sonoro emitido pelo sino e a existência, ou não, de uma relação do sino aí fundido com os demais ainda hoje existentes na torre sineira da Igreja.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Brasil estuda o passado de homem da Antártica

Daqui a duas semanas , estará chegando ao Brasil pela primeira vez uma coleção de objetos arqueológicos da Antártica. São relíquias, como garrafas, cachimbos de cerâmica, roupas e sapatos, panelas, materiais cortantes e até um tabuleiro de jogo de damas, usadas pelos primeiros ocupantes do continente gelado, que se aventuram por lá há quase 200 anos. A coleção é fruto de expedição realizada no verão deste ano pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Trata-se nada menos da primeira expedição de ciências humanas feita por instituição científica brasileira na Antártica.

– Até agora, as pesquisas brasileiras na Antártica foram na área de geologia, biologia e glaciologia, ou seja, de ciências naturais. Estamos abrindo um campo de pesquisa para estudar a presença humana na Antártica – diz o coordenador da pesquisa, o

arqueólogo Andrés Zarandin, da UFMG.

A Antártica foi o último grande espaço, ou continente, a ser explorado pelo homem. Descoberta oficialmente pelos ingleses, em 1819, ela não nunca permitiu a ocupação permanente do homem, devido ao rigor de seu clima. Mas naquele época remota, há dois séculos, levas e levas de exploradores e caçadores frequentavam o continente gelado.

Os achados arqueológicos da expedição brasileira, que contou com mais sete integrantes, são desta época remota. Ali, por volta do final do século 18 e o começo do século 19, trabalhadores a serviço de companhias comerciais e marítimas passavam temporadas de três meses, caçando focas, elefantes-marinhos e baleias. Eles erguiam pequenas construções ou se abrigavam em cavernas durante este período – deixando como legado para os cientistas de hoje relíquias daquela época.

– A arqueologia estuda o ser humano a partir de objetos. Enquanto documentos são produzidos pela elite e mostram uma visão do mundo a partir deste grupo dominante, a arqueologia pode revelar a história da presença humana na Antártica a partir dos vestígios deixados por trabalhadores, gente comum – diz o pesquisador da UFMG.

Helicóptero

A expedição brasileira chegou em 14 de fevereiro à Península Byers, que fica ao lado das Ilhas Shetland do Sul, na região antártica. Eles vieram com o navio polar brasileiro Almirante Maximiano, e desembarcaram na península de helicóptero. Lá montaram barracas a cerca de 1,5 quilômetros de dois sítios arqueológicos. Ficaram até o dia 6 de março, enfrentando uma temperatura média de 5 graus abaixo de zero.

A Penísula Byers é pródiga em sítios arqueológicos: lá já foram encontrados 26 deles. Nos dois sítios escolhidos pela equipe brasileira, foram recolhidas três caixas com material usado pelos pioneiros da Antártica.

– A partir de um elemento como um sapato, uma roupa ou um cachimbo, podemos contar a história de uma pessoa. Queremos contar esta história que é invisível para a maioria da humanidade – diz Zarandin.

Aliás, a pesquisa brasileira é uma das quatro na área de arqueologia realizada na Antártica, considerando toda a comunidade científica internacional.

– Isto pode dar uma visibilidade muito grande para a ciência brasileira – diz Zarandin.

Mas, afinal, quem eram estas pessoas que enfrentavam mares revoltos e gélidos no começo do século 19? O que eles faziam lá? Basicamente caçavam focas, elefantes-marinhos e baleias. Das focas, tiravam a pele para confecção de roupas. Dos elefantes-marinhos e das baleias, óleo, que durante muitas décadas foi usado como combustível, na iluminação pública, por exemplo. Na verdade, fizeram um estrago por lá.

– Estima-se que em cinco anos foi caçada 80% da população animal da Antártica. Em 1820, um navio voltava de lá com 20 mil peles. Em 1825, com apenas 15 peles. Logo, os recursos se exauriram e as expedições comerciais terminaram – diz o cientista, que é argentino de origem, mas radicado no Brasil.

Toda esta aventura científica começou há cerca de 15 anos, quando geólogos encontraram uma caverna com vestígios arqueológicos da presença humana. Não sabiam se estas pessoas eram náufragos, desviados de rota. Em 1819, um comerciante marítimo inglês anotou em seu diário de bordo que havia localizado um pedaço de âncora de um navio espanhol chamado San Telmo. Ao chegar ao Chile e contar a história, organizaram uma expedição. O capitão acabou declarando ali a descoberta da Antártica.

Posteriormente, expedições científicas, já nos anos 90 do século 20, lançaram uma teoria de que os achados do comerciante inglês não pertenciam a náufragos, mas a caçadores. Muitos cientistas, como Zarandin, acreditam que indígenas do Sul do Chile frequentavam a Antártica em expedições de caça. Esta história agora pode ser passada a limpo, com os estudos que serão feitos pelos cientistas do Brasil.

Museu de Arqueologia preocupa deputados

Museu de Arqueologia preocupa deputados

Ministra será interpelada na Comissão de Ética no dia 14.

O plano de Gabriela Canavilhas de mudar o Museu Nacional de Arqueologia (MNA) dos Jerónimos para a Cordoaria tem sido polémico. Os deputados da Comissão de Ética e Cultura visitam amanhã o museu para recolher mais dados com os quais possam interpelar a ministra da Cultura no dia 14, quando a tiverem à sua frente no Parlamento.

"Queremos saber por que razão há pressa em fechar a Torre Oca [espaço do MNA] e apurar no terreno as preocupações em relação aos problemas estruturais que têm sido apontados à Cordoaria para receber o espólio do MNA", explica Celeste Pereira, do PSD, uma das mais activas em começar pela linha museológica de Belém um expediente previsto nas competências da comissão.

Em causa estão, segundo Catarina Martins (Bloco de Esquerda), "as fundações da Cordoaria". "A ministra disse que ia fazer um estudo, mas não fez, limitou-se a fazer um parecer. Mas há outros pareceres que falam do perigo de ali depositar alguns dos tesouros nacionais", acrescenta.

Luís Raposo, director do MNA, também aponta a intenção inicial da ministra em pedir um estudo e a mudança de vontade, e explica melhor: "O parecer que a ministra pediu a um ex-técnico do Laboratório Nacional de Engenharia Civil [LNEC] não fala em perigos, mas o parecer pedido pelo Grupo de Amigos do MNA e um outro solicitado por mim apontam alguns."

"O presidente e o vice-presidente da Sociedade de Engenharia Sísmica confirmam alguns perigos de ali instalar o espólio do MNA - e lembro que temos 700 peças consideradas como tesouro nacional", diz Raposo. "São estudos de professores catedráticos, de Sousa Oliveira [do Técnico, de Lisboa] e Aníbal Costa [Universidade de Aveiro]", contextualiza.

As razões técnicas, diz, dão que pensar e exigem um "estudo de fundo" - é isso que diz também a deputada Catarina Martins. "Dizer que os Jerónimos também estão junto ao Tejo como a Cordoaria não chega para afastar os eventuais perigos contidos nas fundações da Cordoaria. Esta está erigida sobre o estuário do rio seco, com o maior caudal hídrico e grande parte ou toda a Cordoaria está assente sobre areias e argila e pode afundar em caso de sismo, está sujeita a inundações, como aconteceu há dez anos, ou às infiltrações de água salgada", expõe.

O gabinete da ministra não quis reagir e sublinhou o plano do MNA, que tem de esvaziar a Torre Oca até 8 de Maio (antes era até 30 de Março) para a entregar, no âmbito de um protocolo , à Marinha. "Falta saber se a Cordoaria será toda para este museu", questiona ainda Celeste Pereira.

domingo, 14 de março de 2010

As Pirâmides da América 1

As Pirâmides da América 2

As Pirâmides da América 3

As Pirâmides da América 4

Piramides da América - Parte 5

Piramides da América - Parte 5

Arqueologia marinha a 3D

Operários em escavações para localização das aldeias - Divulgação

SÃO PAULO - Arqueólogos da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos-RS) e da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) estudam aldeias de casas subterrâneas localizadas no município de São José do Cerrito, no Planalto Catarinense. Segundo os estudiosos, as construções possivelmente serviam de moradia para antigos habitantes da região. A datação feita da aldeia remete ao ano 800, ou seja, há mais de mil anos.

A olhos leigos, segundo os arqueólogos, há pouca coisa a ser vista: apenas imensos buracos abaixo do nível do solo. O maior tem 7 metros de profundidade e 20 metros de diâmetro.

- Queremos entender o método construtivo desses engenheiros do planalto - diz o padre jesuíta Pedro Ignácio Schmitz, da Unisinos-RS, coordenador da pesquisa, que começou a escavar a região em 2007.

Somente na localidade de Boa Parada, numa área de um quilômetro de diâmetro, foram encontradas 27 estruturas. Todas elas estão 400 metros equidistantes do centro, próximas a matas de pinheiros que forneciam alimentos (pinhão) e pequenos córregos de água. Dessas, três estruturas foram feitas da forma inversa, acima do solo. Para os arqueólogos, esses locais são denominados danceiros, ou seja, uma espécie de praça pública utilizada para diversos rituais.

- A história que se conta do Brasil é muito relacionada à chegada dos europeus, como se os habitantes anteriores não tivessem história. O trabalho da arqueologia é justamente mostrar a riqueza de uma ocupação anterior, que não se expressa em documentos escritos, mas em vestígios como esses - salienta Marcus Vinicius Beber, arqueólogo da Unisinos.

De acordo com estudiosos, há ainda aproximadamente 200 estruturas subterrâneas no município. A próxima etapa das pesquisas será na localidade de Rincão dos Albinos, também em São José do Cerrito.

O Êxodo decifrado - Prova arqueológica do Êxodo

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Fonte de arqueduto da Roma Antiga é localizada


Estrutura foi edificada na época do imperador Trajano há quase 2 mil anos.

Obra data de quase 2 mil anos (Foto: BBC)

Uma equipe de arqueólogos localizou a fonte de um aqueduto romano construído pelo imperador Trajano há quase 2 mil anos. As câmaras coletoras estavam sob uma igreja a noroeste de Roma. O aqueduto, com cerca de 40 km de extensão, foi inaugurado no ano 109 e era um dos onze que abasteciam Roma - uma cidade que crescia rapidamente e tinha um milhão de habitantes.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Arqueólogos egípcios encontram duas tumbas de 2,5 mil anos no Egito


Esqueletos e águias mumificadas foram encontradas no local.
As duas tumbas descobertas pertencem à 26ª dinastia dos faraós.

Da France Presse










Arqueólogos encontraram tumba de 2,5 mil anos em Saqqara, distante 20 quilômentros do Cairo, capital do Egito (Foto: SUPREME COUNCIL OF ANTIQUITIES/AFP)

Arqueólogos egípcios encontraram duas tumbas de 2,5 mil anos em Saqqara, distante 20 quilômetros do Cairo, capital do Egito. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (4) pelo Conselho Superior de Antiguidades (CSA) do país.

As tumbas pertencem à 26ª dinastia dos faraós e foram descobertas em Ras el Guesr, cavadas nas rochas, afirmou o diretor da CSA, Zahi Hawass. A primeira delas "é a maior tumba descoberta em Saqqara", disse.

No local - uma imensa sala de onde partem várias passagens e câmaras - foram encontrados vários esqueletos e águias mumificadas.

Na segunda tumba, de tamanho menor, foram encontrados recipientes de barro cozido. Essa descoberta demonstra que "Saqqara segue guardando segredos", avaliou Hawass.


A região de Saqqara é uma grande necrópole na região da antiga Memfis, onde se encontram numerosas tumbas e as primeiras pirâmides faraônicas.

Neandertal usava pintura corporal e bijuterias, diz estudo

Cientistas acreditam que espécie pode ter tido hábitos mais sofisticados do que se pensava.

Da BBC


Uma equipe de pesquisadores disse que encontrou as primeiras evidências convincentes de que o homem de Neandertal pintava o corpo e usava bijuteria há 50 mil anos.


Conchas contendo resíduos de pigmentos usados para este fim foram encontradas em dois sítios arqueológicos em Múrcia, no sul da Espanha.


O arqueólogo português, João Zilhão, que lidera a equipe a partir da Universidade de Bristol, na Inglaterra, disse que foram examinadas conchas que eram usadas como utensílios para a mistura e armazenamento de pigmentos.


Bastões pretos com um pigmento à base de manganês podem ter sido usados como tinta para o corpo. Artefatos semelhantes foram encontrados na África no passado.


"(Mas) esta é a primeira evidência segura do uso de cosméticos", disse o arqueólogo à BBC. "A utilização destas receitas complexas é novidade. É mais do que tinta para o corpo."


Os cientistas encontraram fragmentos de um pigmento amarelo que, segundo eles, pode ter sido usado como base para maquiagem.


Eles também descobriram um pó vermelho junto com manchas de um mineral negro brilhante.

Algumas das conchas, entalhadas e pintadas com cores fortes, também podem ter sido usadas como bijuteria.

Sofisticação


Até agora, muitos especialistas acreditavam que só os seres humanos modernos usavam maquiagem como adorno ou para rituais.


Durante um período na pré-história Neandertais e humanos podem ter compartilhado a Terra, mas Zilhão disse que a descoberta de sua equipe data de 10 mil anos antes do contato entre ambos e, portanto, ela não indicaria uma influência humana. Zilhão vê na prática do uso de pintura corporal e bijuteria um certo grau de sofisticação.


"As pessoas têm que acabar com essa idéia de que os Neandertais eram débeis mentais", afirmou.